São João Paulo II — Ano Jubilar, outubro de 2000, com a imagem da Capelinha das Aparições de Fátima
O Papa fez questão de salientar: era Pedro e os apóstolos que estavam reunidos naquele cenáculo, fazendo aquela consagração. É muito importante assumirmos pessoalmente essa consagração, neste momento-chave da humanidade.
"Mulher, eis o teu filho." (Jo 19,26)
É particularmente doce ouvir esta palavra
com a qual Ele nos entrega a ti,
tornando-te nossa Mãe: "Mulher, eis o teu filho!"
Confiando-te o apóstolo João,
e com ele os filhos da Igreja,
e mesmo todos os homens,
Cristo, longe de atenuar,
reiterava o seu papel exclusivo
de Salvador do mundo.
Tu és esplendor que nada tira à luz de Cristo,
porque existes nele e por Ele.
Em ti, tudo é um "fiat" (faça-se):
tu és a Imaculada, és transparência e plenitude de graça.
Queremos, hoje, consagrar-te o futuro que nos espera, pedindo-te que nos acompanhes no nosso caminho. Somos homens e mulheres de um período extraordinário, tão cheio de triunfos como de contradições.
A humanidade possui, hoje, instrumentos de força inaudita: pode fazer deste mundo um jardim, ou reduzi-lo a um amontoado de ruínas. Conseguiu uma capacidade extraordinária de intervenção sobre as próprias fontes da vida: pode usá-la para o bem, dentro das margens da lei moral, ou ceder ao orgulho míope de uma ciência que não aceita confins, até espezinhar o respeito devido a todo o ser humano.
Hoje, como nunca no passado, a humanidade encontra-se numa encruzilhada. E, uma vez mais, a salvação está total e unicamente, ó Virgem Santa, no teu Filho Jesus.
Por isso, Mãe, tal como o apóstolo João,
queremos receber-te na nossa casa (cf. Jo 19,27),
para aprendermos de ti
a conformar-nos com o teu Filho.
"Mulher, eis aqui os teus filhos!"
Viemos à tua presença
para consagrar à tua solicitude materna
nós mesmos, a Igreja, o mundo inteiro.
Intercede por nós junto do teu amado Filho para que nos dê o Espírito Santo em abundância, o Espírito de verdade que é fonte de vida.
O Espírito abra os corações à justiça e ao amor, incite os indivíduos e as nações à mútua compreensão e a uma vontade firme de paz.
Nós te consagramos todos os homens, a começar pelos mais débeis: as crianças que ainda não foram dadas à luz e as nascidas em condições de pobreza e de sofrimento, os jovens à procura de um sentido, as pessoas carecidas de emprego e atribuladas pela fome e pela doença. Consagramos-te as famílias em crise, os anciãos sem assistência e quantos vivem sozinhos e sem esperança.
Ó, Mãe, que conheces os sofrimentos
e as esperanças da Igreja e do mundo,
assiste os teus filhos nas provas cotidianas
que a vida reserva a cada um
e faz com que, graças ao esforço de todos,
as trevas não prevaleçam sobre a luz.
A ti, aurora da salvação,
entregamos o nosso caminho no novo milênio, para que, sob a tua guia,
todos os homens descubram Cristo,
luz do mundo e único Salvador,
que reina com o Pai e o Espírito Santo
pelos séculos dos séculos. Amém.
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