Histórias e ditos dos primeiros monges cristãos
Entre os séculos III e V, milhares de cristãos deixaram as cidades para viver no deserto, rezar, trabalhar e enfrentar o mal dentro do próprio coração. O que aprenderam lá cabe em frases curtas, que ainda hoje acertam em cheio.
Aqui você conhece dez figuras do deserto, o que ensinaram e os Apotegmas, os seus ditos — e ouve aqui a primeira meditação do retiro A Escada Escondida.
O retiro A Escada Escondida desce, degrau por degrau, pelos ditos dos Padres do Deserto, em meditações de cerca de dez minutos inspiradas em Anselm Grün. A primeira está aberta aqui.
As meditações seguintes estão no app, na ordem do retiro.
Conhecer o retiro A Escada EscondidaOs Padres do Deserto também ouviram. Deixaram as cidades para buscar a Deus e encontraram, no silêncio, os próprios pensamentos: a raiva, a tristeza, o tédio, a vaidade. Em vez de fugir, aprenderam a olhar para eles com verdade e a entregá-los a Deus.
O deserto não era fuga do mundo. Era o caminho para dentro.
Arsênio deixou o palácio do imperador para buscar a Deus. Já no deserto, ouviu uma voz que lhe dizia: foge, cala-te, reza sempre. O silêncio não era vazio: era o lugar do encontro.
Macário encontrou um ladrão levando as coisas da sua cela. Ajudou-o a carregar o animal e o despediu em paz: nada trouxemos para este mundo, e nada dele podemos levar.
Os monges jejuavam e vigiavam, mas com medida. Quando lhe perguntaram por que não tratava o corpo com dureza, Abba Poemen respondeu: não aprendemos a matar o corpo, mas a matar as paixões.
Chamado para julgar um irmão, Abba Moisés chegou com um jarro furado, perdendo água pelo caminho: são os meus pecados que escorrem atrás de mim, e eu não os vejo. Os monges perdoaram o irmão.
É possível ser solitário no pensamento vivendo no meio da multidão, e é possível que um solitário viva na multidão dos próprios pensamentos.
Amma Sinclética — Apotegmas dos Padres do Deserto, Sinclética 19
Da coleção alfabética dos ditos dos Padres do Deserto
Do Egito, onde tudo começou, a sabedoria do deserto passou à Palestina, à Síria e ao Ocidente. Dez homens e mulheres que abriram esse caminho.
Fugiu para o deserto egípcio ainda jovem, na perseguição de Décio, e ali viveu escondido por décadas. São Jerônimo o chamou de primeiro eremita; Santo Antão o visitou no fim da vida e o sepultou.
Ex-soldado, conheceu a fé pela caridade dos cristãos. Por volta de 320, em Tabenisi, no Alto Egito, fundou a primeira comunidade organizada de monges, com uma regra de vida comum.
Ouviu na igreja o Evangelho "vai, vende o que tens e dá aos pobres" e partiu para o deserto. Morreu aos 105 anos, e a Vida escrita por Santo Atanásio fez dele o pai dos monges.
De família rica, deu os bens aos pobres e foi viver como asceta perto de Alexandria, com a irmã cega. Muitas mulheres a procuraram como mãe espiritual; é a amma com mais ditos na coleção alfabética.
Aprendeu com Santo Antão e tornou-se um dos grandes pais de Escete, onde o mosteiro que leva o seu nome é habitado até hoje. Pela sabedoria que tinha ainda jovem, chamavam-no de menino-ancião.
Depois de deixar Constantinopla, viveu seus últimos anos nos desertos da Nítria e das Celas. Deu nome aos oito pensamentos que atacam a alma, lista que, por meio de Cassiano e de São Gregório Magno, deu origem aos pecados capitais.
Antigo escravo e chefe de um bando de ladrões, converteu-se entre os monges de Escete e foi ordenado padre. Quando os bárbaros atacaram, não quis se defender com armas e morreu mártir com outros sete monges.
Passou anos entre os monges do Egito e, por volta de 415, fundou mosteiros em Marselha. Suas Instituições e Conferências levaram o deserto ao Ocidente, e São Bento pediu que seus monges as lessem.
Nascido em Roma, homem culto, foi preceptor dos príncipes Arcádio e Honório. Deixou o palácio em 394 e viveu cerca de cinquenta anos no deserto, conhecido pelo seu silêncio.
Chamado de Pastor, é o monge mais citado dos Apotegmas. Deixou Escete depois dos ataques dos bárbaros e ficou conhecido pela mansidão com os irmãos que tropeçavam.
"Vi as armadilhas que o inimigo estende sobre o mundo e perguntei: quem pode passar por elas? E ouvi uma voz: a humildade."
Abba Antão · Apotegmas, Antão 7
Vivemos cercados de barulho, telas e opiniões, e quase nunca a sós conosco. Os Padres do Deserto lembram que a luta decisiva acontece dentro do coração, e que o silêncio, a oração e a humildade continuam sendo o caminho. Não é preciso morar no deserto para aprender com eles.
A maioria dos Padres do Deserto não escreveu livros. Deixaram respostas curtas a quem lhes pedia uma palavra. Por trás de todas, a mesma descoberta: a luta decisiva acontece dentro do coração, e é lá que Deus espera.
Evágrio Pôntico ensinou a perceber cada pensamento logo que ele chega e a responder com uma palavra da Escritura, como Jesus fez quando foi tentado no deserto.
Amma Sara lutou treze anos contra a mesma tentação. Nunca pediu que a luta acabasse. Pedia apenas: ó Deus, dá-me força.
Abba Poemen ensinava: alguém pode parecer calado, mas, se o coração condena os outros, está falando sem parar. E outro pode falar o dia inteiro e estar em silêncio, porque não diz nada inútil.
Frases curtas e pequenas histórias, guardadas de memória pelos discípulos e depois reunidas por escrito. Um dos tesouros mais antigos da espiritualidade cristã.

Tudo começava com um pedido: “Abba, dá-me uma palavra.” O discípulo procurava o ancião, e ele respondia com uma frase, uma história ou um gesto, pensados para aquela pessoa e aquele momento. Os monges guardavam essas palavras de memória e as passavam adiante.
Depois, elas foram reunidas por escrito em grego, provavelmente na Palestina, por volta do fim do século V. A coleção mais conhecida, a alfabética, traz cerca de mil ditos sob o nome de uns 130 abbas e ammas, e Abba Poemen é o mais citado. Traduzidos para o latim e para muitas outras línguas, os ditos alimentaram os mosteiros do Oriente e do Ocidente.
Ditos da coleção alfabética dos Apotegmas dos Padres do Deserto, com o número de cada dito na coleção. Tradução livre.
Ler frases dos Padres do Deserto é fácil. Entender o que elas pedem de nós é outra coisa. O retiro A Escada Escondida foi inspirado no livro O céu começa em você, do monge beneditino Anselm Grün, e percorre os ditos do deserto como uma escada: do conhecimento de si à humildade, das paixões à oração, até a mansidão e a paz.
Cada meditação traz histórias e ditos reais do deserto: Antão, Poemen, Macário, Moisés, Amma Sinclética, Amma Sara e muitos outros.
Na linha de Anselm Grün, cada história é aberta por dentro: o que ela revela sobre os nossos pensamentos, paixões e feridas.
Cada áudio termina com algo para levar ao dia: uma frase, uma imagem ou uma pergunta que fica com você durante a semana.
“A escada que leva ao Reino está escondida dentro da tua alma. Mergulha em ti mesmo, e ali encontrarás os degraus por onde subir.”
Isaac de Nínive, monge sírio do século VII · citado por Anselm Grün em O céu começa em você
Anselm Grün é monge da Abadia beneditina de Münsterschwarzach, na Alemanha, onde entrou em 1964, aos 19 anos. É doutor em teologia, acompanha pessoas espiritualmente há décadas, e seus livros foram traduzidos para mais de 30 línguas.
No livro que inspira o retiro, ele mostra que os Padres do Deserto não começavam pelos ideais, mas pela própria realidade: quem tem a coragem de descer até as próprias paixões encontra ali a escada para Deus. É esse o caminho que o retiro percorre com você.

Anselm Grün, OSB · A sabedoria dos Padres do Deserto para hoje
Publicado na Alemanha em 1994 e no Brasil pela Vozes. Grün lê os ditos do deserto como uma espiritualidade a partir da base: das paixões e da própria realidade até Deus.

Coleções alfabética e sistemática · séculos IV a VI
Os ditos de Antão, Poemen, Macário, Amma Sinclética, Amma Sara e muitos outros. Junto deles, o retiro ouve Evágrio Pôntico, Cassiano e Isaac de Nínive.
Do conhecimento de si à contemplação, da ascese à mansidão: a escada inteira percorrida em meditações de cerca de dez minutos, para ouvir no carro, na caminhada ou antes de dormir.
Além dos cursos e retiros, o app traz a Liturgia Diária e a Bíblia para ler e ouvir. Em cada versículo, um toque abre o que disseram os Padres da Igreja, a Catena Aurea de Santo Tomás de Aquino e o Catecismo.



Toque no número de um versículo, da Bíblia ou das leituras da Missa, e sobe uma cortina com os comentários daquele versículo, separados por fonte. Você lê, volta ao texto e continua de onde estava.
+0 comentários
Os grandes mestres cristãos dos primeiros séculos, como Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio e São Jerônimo. Viveram perto do tempo dos Apóstolos e explicaram a Escritura em homilias e comentários. No app, o que disseram aparece ligado a cada versículo.
de Santo Tomás de Aquino, completa
"Corrente de ouro": a obra que Santo Tomás começou a pedido do Papa Urbano IV. Nela, ele encadeou, versículo por versículo, o que os Padres gregos e latinos disseram sobre os quatro Evangelhos, como se todos comentassem juntos a mesma passagem.
+0 comentários bíblicos
O Catecismo da Igreja Católica, publicado por São João Paulo II em 1992, expõe a fé da Igreja a partir da Escritura. No app, os parágrafos que explicam uma passagem aparecem junto do versículo a que se referem.
Santos, Padres da Igreja e grandes mestres da vida espiritual, em áudio, no mesmo app.

Um ponto do Caminho por dia: o texto, a história por trás dele e a meditação.
Conhecer o curso
Esposa, mãe e médica: a santidade vivida no dia a dia de uma família.
Conhecer o curso
O pequeno caminho da confiança e do amor, com Padre Jacques Philippe.
Conhecer o retiro
A Bíblia inteira como uma única história, do Gênesis ao Apocalipse.
Conhecer o curso
A fé da Igreja um pouco por dia, com Ratzinger, Schönborn e Cantalamessa.
Conhecer o curso
A liberdade que ninguém pode tirar, com Padre Jacques Philippe.
Conhecer o retiro
Um condenado à morte que encontrou Cristo na prisão.
Conhecer o curso
Jovens que viveram a santidade até o fim, apresentados por Daniel Ange.
Conhecer o curso
As oito portas do Reino, com Padre Jacques Philippe.
Conhecer o curso
Aprender a rezar com os Padres da Igreja, guiado pelo Cardeal Špidlík.
Conhecer o curso
O combate espiritual e a vigilância do coração segundo os Padres da Igreja.
Conhecer o curso
Do Pai-Nosso às novenas, com o texto completo.
Ver as oraçõesO que mais se pergunta sobre eles, em poucas linhas.
Foram eremitas, monges e monjas cristãos que, a partir do século III, deixaram as cidades para viver no deserto, sobretudo no Egito, em lugares como Escete, a Nítria e as Celas, e também na Palestina e na Síria. Buscavam a Deus na oração, no trabalho e no silêncio. Fazem parte da grande tradição dos Padres da Igreja.
São os ditos dos Padres do Deserto: frases curtas e pequenas histórias guardadas de memória pelos discípulos e depois reunidas por escrito, em grego. A coleção mais conhecida, a alfabética, traz cerca de mil ditos sob o nome de uns 130 abbas e ammas.
Abba é a palavra aramaica para "pai", a mesma que Jesus usou ao rezar no Getsêmani (Mc 14,36). No deserto, era o título do monge ancião que guiava os discípulos. As mulheres com o mesmo papel, como Sinclética e Sara, eram chamadas de amma, "mãe".
São Jerônimo chamou São Paulo de Tebas de primeiro eremita: ele fugiu para o deserto na perseguição de Décio e ali viveu por décadas. Mas quem ficou conhecido como pai dos monges foi Santo Antão, morto em 356, cuja vida, escrita por Santo Atanásio, espalhou o ideal monástico. A vida em comunidade começou com São Pacômio.
Entre os mais lembrados estão: "Vai, senta-te na tua cela, e a tua cela te ensinará tudo" (Abba Moisés); "Sem tentações, ninguém se salva" (Abba Antão); a palavra que Abba Arsênio ouviu, "foge, cala-te, reza sempre"; e a imagem de Abba Poemen: a água mole, caindo gota a gota, fura a pedra, como a palavra de Deus abre o coração duro.
Monge beneditino alemão, nascido em 1945, da Abadia de Münsterschwarzach, onde entrou em 1964. É doutor em teologia e acompanhante espiritual, com cerca de 300 livros traduzidos para mais de 30 línguas. Seu livro O céu começa em você, sobre a sabedoria dos Padres do Deserto, inspira o retiro A Escada Escondida.
Sim. No app Minha Bíblia Católica você acessa a Liturgia Diária e a Bíblia, para ler e ouvir: as leituras da Missa de cada dia (Primeira Leitura, Salmo e Evangelho) e o Novo Testamento narrado, capítulo por capítulo. Em cada versículo, um toque abre os comentários dos Padres da Igreja, a Catena Aurea de Santo Tomás de Aquino e o Catecismo da Igreja Católica.
O texto completo, no Devocionário do Minha Bíblia Católica:
Texto da equipe do Minha Bíblia Católica. Publicado em · atualizado em .
Meditações de cerca de dez minutos com a sabedoria dos Padres do Deserto: no carro, na caminhada, antes de dormir. E, no mesmo app, a Liturgia Diária e a Bíblia em áudio, comentadas pelos Padres da Igreja, pela Catena Aurea e pelo Catecismo.
"Vai, senta-te na tua cela, e a tua cela te ensinará tudo." — Abba Moisés, Apotegmas dos Padres do Deserto