O pai dos monges e o combate do coração
Um jovem egípcio que ouviu o Evangelho, deu tudo aos pobres e foi para o deserto. Lá descobriu que a batalha mais dura não é contra o mundo lá fora: é dentro do coração, e com Cristo ela pode ser vencida.
Aqui você conhece a vida dele em dez datas, o que ensinou, a Vida de Santo Antão escrita por Santo Atanásio e as suas frases mais conhecidas — e ouve aqui o primeiro áudio do curso A Purificação do Coração.
O curso A Purificação do Coração percorre o combate espiritual em áudios de cerca de dez minutos: formação, ensinamentos dos Padres da Igreja e um exercício prático. O primeiro está aberto aqui.
Os áudios seguintes estão no app, na ordem do curso.
Conhecer A Purificação do CoraçãoAntão também passou por isso. Foi para o deserto buscar a Deus e logo vieram as lembranças do que tinha deixado, a preocupação com a irmã, os desejos, o desânimo diante de uma vida tão longa e difícil. Ele não fugiu: aprendeu a lutar, e descobriu que o combate se vence com oração, humildade e confiança em Cristo.
A tentação não é o fim do caminho. É o lugar do combate.
Antão dizia que quem nunca foi tentado não pode entrar no Reino dos Céus. Sentir a tentação não é sinal de que você está longe de Deus: é o lugar onde se luta por Ele.
Quando o tédio e os maus pensamentos não o largavam, pediu socorro a Deus. Viu então alguém que trançava uma corda e se levantava para rezar, e ouviu: "Faze assim e serás salvo."
O combate começa antes da ação, no pensamento que chega. Antão pedia aos monges que guardassem a alma dos maus pensamentos com o mesmo zelo com que guardavam a vida.
Ele não contava os anos que já tinha de deserto. A cada dia, como se estivesse apenas começando, se esforçava um pouco mais.
Antão, eu estava aqui, mas esperava ver o teu combate. E, porque resististe e não foste vencido, serei sempre o teu socorro.
A voz que Santo Antão ouviu depois do combate no túmulo — Vida de Santo Antão, 10
Ele tinha perguntado: "Onde estavas? Por que não apareceste logo no começo para fazer cessar as minhas dores?"
Da beira do Nilo a um monte perto do mar Vermelho. Mais de cem anos para mostrar que o coração pode ser campo de batalha e lugar de paz.
Nasce numa família cristã e de posses, numa aldeia do Egito. Menino, prefere a casa e a igreja à escola, e não aprende as letras.
Órfão aos 18 ou 20 anos, ouve na igreja: "Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá aos pobres". Dá as terras aos vizinhos, o resto aos pobres, e confia a irmã a virgens consagradas.
Aos 35 anos, fechado num túmulo, é espancado pelos demônios até ficar como morto. Uma luz desce do alto, as dores cessam, e ele pergunta: "Onde estavas?"
Depois de quase vinte anos fechado num forte abandonado, do outro lado do Nilo, os amigos arrombam a porta. Ele sai sereno, nem gordo nem magro. Muitos o seguem, e o deserto se enche de monges.
Na perseguição de Maximino, vai a Alexandria servir os cristãos presos nas minas e nas prisões; queria o martírio. Depois, fugindo da fama, caminha três dias com nômades até um monte perto do mar Vermelho.
Chamado pelos bispos, desce a Alexandria para defender a divindade de Cristo contra os arianos. Em poucos dias, a cidade corre para ver "o homem de Deus", e muitos pagãos se tornam cristãos.
Morre perto dos 105 anos. Deixa uma pele de ovelha a Santo Atanásio e pede aos dois discípulos que o enterrem num lugar que só eles saibam.
Santo Atanásio, bispo de Alexandria e amigo do santo, escreve a sua vida. Traduzida quase logo para o latim, ela leva o ideal do deserto ao Oriente e ao Ocidente.
Em Milão, Santo Agostinho ouve a história de Antão e fica abalado. No jardim, lembra-se do Evangelho que chamou Antão, abre as Escrituras e se converte.
Na França, onde estão as suas relíquias, o Papa Urbano II aprova uma ordem hospitalar com o nome dele, os antoninos, para cuidar dos doentes do chamado "fogo de Santo Antão".
"O deserto tornou-se uma cidade de monges."
Vida de Santo Antão, 14
Vivemos cercados de barulho, telas e pensamentos que não param. Antão foi para o silêncio e descobriu que o barulho maior estava dentro. Ele não venceu fugindo: aprendeu a vigiar, a discernir e a confiar em Cristo. Isso qualquer um pode aprender.
Antão não era homem de livros: ensinou com a vida e com conselhos curtos aos monges que o procuravam. Tudo gira em torno de uma descoberta: a batalha decisiva acontece por dentro, e com Cristo ela pode ser vencida.
O que vem de Deus chega sereno e deixa na alma alegria, contentamento e coragem. O que vem do inimigo chega com barulho e deixa medo, confusão e desânimo. Antão ensinou os monges a reconhecer a diferença.
Os demônios fazem barulho, mas têm pouco poder. Antão ensinava a responder com a oração, o jejum, o sinal da cruz e a confiança em Cristo, e não com o medo.
Não quis aprender as letras, mas guardava tudo o que ouvia da Escritura: a memória lhe servia de livros. Rezava sem cessar e trabalhava com as mãos para comer e dar aos pobres.
Escrita por Santo Atanásio, bispo de Alexandria e amigo do santo. Bento XVI a chamou de best-seller da antiga literatura cristã.

Um bispo conta a vida de um monge. Pouco depois da morte de Antão, monges de fora do Egito pediram a Santo Atanásio que contasse como ele tinha começado, quem era e como terminou a vida. Atanásio, que o conhecera de perto, escreveu por volta de 360: o chamado, os anos no deserto, os combates, os conselhos aos monges e a morte.
O livro foi traduzido quase logo para o latim e ajudou a espalhar a vida monástica no Oriente e no Ocidente. Anos depois, em Milão, Santo Agostinho ouviu a história de Antão e ficou abalado: pouco depois veio a sua conversão, que ele conta nas Confissões.
Frases da Vida de Santo Antão, de Santo Atanásio, e dos Apotegmas dos Padres do Deserto (coleção alfabética), em tradução nossa.
Santo Antão, Evágrio, Cassiano, São João Clímaco: monges que passaram décadas enfrentando os pensamentos maus e deixaram o mapa de cada armadilha. O curso A Purificação do Coração abre esse tesouro a partir dos ensinamentos do Cardeal Tomáš Špidlík, um dos grandes estudiosos da espiritualidade dos Padres da Igreja: de onde vem o mal, como ele entra no coração e como vencê-lo.
Nem do corpo, nem das circunstâncias: os Padres da Igreja ensinam que só o consentimento livre é pecado. Pensar não é pecar, e a linha está mais à frente do que você imagina.
Pôr um guarda na porta do coração, responder ao mal com a Escritura, como Jesus no deserto, e distinguir o que vem de Deus do que vem do inimigo.
Gula, luxúria, avareza, tristeza, ira, acédia, vanglória e soberba: Evágrio, no século IV, mapeou cada um, com a sua armadilha e o seu remédio.
“Cada um de nós anote e escreva as suas ações e os movimentos da alma, como se fôssemos contá-los uns aos outros. Se tivermos vergonha de que sejam conhecidos, deixaremos de pecar e não guardaremos maus pensamentos.”
Santo Antão, nos conselhos aos monges que o procuravam
Antão pedia aos monges que fizessem, todos os dias, as contas do que tinham vivido de dia e de noite: se pecaram, parar; se não, não se orgulhar; e nunca condenar o próximo nem se justificar. Um exame de consciência praticado no deserto há dezessete séculos.
O curso retoma esse fio com os Padres da Igreja: a vigilância do coração, o discernimento dos espíritos e o exame de consciência, explicados em linguagem de hoje e com um exercício prático no fim de cada áudio.

Jesuíta tcheco · 1919–2010 · professor no Pontifício Instituto Oriental
Passou a vida estudando a espiritualidade dos Padres da Igreja, sobretudo do Oriente cristão. São João Paulo II o criou cardeal em 2003. No brasão, o lema Ex toto corde: de todo o coração.

Santo Antão · Evágrio · Cassiano · São João Clímaco
Monges que enfrentaram os pensamentos maus por décadas e deixaram o mapa do combate. O curso também ouve São João Crisóstomo, Santo Inácio de Loyola e o Peregrino Russo.
Da pergunta "de onde vem o mal?" até a oração do coração: o combate espiritual percorrido em áudios de cerca de dez minutos, cada um com formação, ensinamentos dos Padres da Igreja e um exercício prático.
Além dos cursos e retiros, o app traz a Liturgia Diária e a Bíblia para ler e ouvir. Em cada versículo, um toque abre o que disseram os Padres da Igreja, a Catena Aurea de Santo Tomás de Aquino e o Catecismo.



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Os grandes mestres cristãos dos primeiros séculos, como Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio e São Jerônimo. Viveram perto do tempo dos Apóstolos e explicaram a Escritura em homilias e comentários. No app, o que disseram aparece ligado a cada versículo.
de Santo Tomás de Aquino, completa
"Corrente de ouro": a obra que Santo Tomás começou a pedido do Papa Urbano IV. Nela, ele encadeou, versículo por versículo, o que os Padres gregos e latinos disseram sobre os quatro Evangelhos, como se todos comentassem juntos a mesma passagem.
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O Catecismo da Igreja Católica, publicado por São João Paulo II em 1992, expõe a fé da Igreja a partir da Escritura. No app, os parágrafos que explicam uma passagem aparecem junto do versículo a que se referem.
Santos, Padres da Igreja e grandes mestres da vida espiritual, em áudio, no mesmo app.

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Ver as oraçõesO que mais se pergunta sobre ele, em poucas linhas.
Um monge egípcio que viveu por volta de 251 a 356. Ainda jovem, ouviu o Evangelho, deu os seus bens aos pobres e foi viver no deserto, onde passou décadas em oração e combate espiritual. Muitos discípulos se reuniram à sua volta. Também é chamado Santo Antão do Deserto, Santo Antão Abade, Santo Antônio Abade e Antão, o Grande.
Em 17 de janeiro, dia em que, segundo a tradição, ele morreu, em 356. No calendário da Igreja, é a memória de Santo Antão, abade.
São dois santos diferentes. Santo Antão foi um monge do Egito, morto em 356, com festa em 17 de janeiro. Santo Antônio de Pádua, também chamado de Lisboa, foi um frade franciscano português que viveu quase nove séculos depois: nasceu em Lisboa por volta de 1195, morreu em Pádua em 1231 e é celebrado em 13 de junho. Os dois têm o mesmo nome em latim, Antonius; em português, a tradição chama o monge do deserto de Antão, e por isso ele também aparece como Santo Antônio Abade.
Ele não foi o primeiro cristão a viver em solidão, mas foi o seu exemplo que atraiu multidões ao deserto. Em torno dele nasceram as primeiras comunidades de monges do Egito, e a Vida escrita por Santo Atanásio levou esse modo de vida ao Oriente e ao Ocidente. Por isso a tradição o chama pai dos monges.
São os combates contados na Vida de Santo Antão: primeiro, pensamentos de saudade dos bens, preocupação com a irmã, desejo de prazer e de glória; depois, ataques dos demônios, que o espancaram num túmulo e apareceram como leões, ursos, leopardos, serpentes e escorpiões. Ele resistiu com a oração, o jejum, a fé no Senhor e o sinal da cruz. A cena inspirou pintores como Hieronymus Bosch e Matthias Grünewald.
Nas fontes: a Vida de Santo Antão, de Santo Atanásio, e os Apotegmas dos Padres do Deserto, que guardam as suas frases. No app Minha Bíblia Católica, o curso A Purificação do Coração apresenta, em áudios curtos, o que Santo Antão e os Padres da Igreja ensinaram sobre vigiar o coração, discernir os pensamentos e vencer a tentação.
Sim. No app Minha Bíblia Católica você acessa a Liturgia Diária e a Bíblia, para ler e ouvir: as leituras da Missa de cada dia (Primeira Leitura, Salmo e Evangelho) e o Novo Testamento narrado, capítulo por capítulo. Em cada versículo, um toque abre os comentários dos Padres da Igreja, a Catena Aurea de Santo Tomás de Aquino e o Catecismo da Igreja Católica.
O texto completo, no Devocionário do Minha Bíblia Católica:
Texto da equipe do Minha Bíblia Católica. Publicado em · atualizado em .
Áudios de cerca de dez minutos sobre o combate espiritual, de Santo Antão aos grandes mestres que vieram depois dele: no carro, na caminhada, antes de dormir. E, no mesmo app, a Liturgia Diária e a Bíblia em áudio, comentadas pelos Padres da Igreja, pela Catena Aurea e pelo Catecismo.
"Respirai sempre Cristo e confiai nele." — Santo Antão, Vida de Santo Antão, 91